O último ano tem sido marcado por uma catadupa de decisões políticas atentatórias das condições de vida dos cidadãos e dos serviços e apoios sociais arduamente conquistados ao longo da história, criando uma situação que é tão mais gravosa quanto ocorre num quadro de progressivo desemprego e recessão económica.
É o caso dos cortes unilaterais nos salários dos trabalhadores do Estado, da apropriação fiscal de grande parte do subsídio de Natal dos trabalhadores e pensionistas, do corte dos subsídios de Natal e de férias dos trabalhadores do sector público e dos pensionistas que, tal como o aumento do horário laboral no sector privado, estão previstos para o próximo ano, da substancial diminuição do financiamento ao Serviço Nacional de Saúde e à educação pública, ou da restrição do acesso ao subsídio de desemprego e a outras prestações sociais.
No entanto, estas opções políticas não se limitam a agravar as condições de vida dos trabalhadores, pensionistas e suas famílias, fazendo até perigar a própria subsistência de muitos deles em condições minimamente dignas.
Essas decisões são tomadas em nome do reequilíbrio das contas públicas e da necessidade de servir a dívida. No entanto, devido à recessão que já provocam e irão aprofundar, não permitirão sequer atingir esses objectivos. Dessa forma, ao sofrimento imposto a milhões de pessoas e à injustiça na repartição dos custos, vem somar-se a consciência da inutilidade de tais sacrifícios.
Mais ainda, as medidas tomadas no âmbito das políticas de “ajustamento” constituem uma brutal subversão do contrato social que permitiu à Europa libertar-se, após a II Guerra Mundial, da endémica incerteza e insegurança de vida dos seus cidadãos e, com base nisso, assegurar vivências mais dignas, uma maior equidade e níveis de paz social e segurança colectiva sem paralelo na sua história.
Ao subverterem a credibilidade e a segurança jurídica da contratação laboral e sua negociação, ao esvaziarem e restringirem os elementos de Estado Social implementados no país (pondo com isso em causa o acesso dos cidadãos à saúde, à educação e a um grau razoável e expectável de segurança no emprego, na doença, no desemprego e na velhice), essas opções políticas, apresentadas como se de inevitabilidades se tratasse, reforçam as desigualdades e injustiças sociais, abandonam os cidadãos mais directamente atingidos pela crise, e criam as condições para que a dignidade humana, os direitos de cidadania e a segurança colectiva sejam ameaçados pela generalização da incerteza, do desespero e da ausência de alternativas.
Por essas razões, os cientistas sociais signatários reafirmam que os princípios e garantias do Estado Social e da negociação consequente dos termos de trabalho não são luxos apenas viáveis em conjunturas de crescimento económico, mas sim condições básicas da dignidade e da existência colectiva, que se torna ainda mais imprescindível salvaguardar em tempos de crise. São, para além disso, elementos essenciais de qualquer estratégia credível para ultrapassar a crise e relançar o crescimento económico.
Seguem-se os nomes de 128 cientistas sociais.
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Debates BMRR Out-Nov
Debates no tema : Crise do Capitalismo? Que alternativas?
Biblioteca Museu República e Resistência
Cidade Universitária, Av. Forças Armadas
Dia 25 de Outubro (18h 30m)
• Sérgio Ribeiro - (Economista) • Luís Fazenda - (Professor/Deputado)
Dia 29 de Outubro ( 18h 30m) Sab.
• João Arsénio Nunes - (Historiador/Assistente Convidado do ISCTE)
• José Gusmão - (Economista/Deputado)
Dia 4 de Novembro (18h 30m) 6ªf
Manuela Silva - (Economista/Ex-Professora Catedrática Convidada do ISEG)
• Rui Namorado Rosa - (Físico/Professor Catedrático da Universidade de Évora)
Dia 11 de Novembro (18 30m) 6ªf
• Francisco Louçã - (Economista/Professor Catedrático do ISEG))
• Rogério Roque Amaro - (Economista/Professor Associado do Departamento de Economia do ISCTE)
• José Carlos Marques - (Editor)
Biblioteca Museu República e Resistência
Cidade Universitária, Av. Forças Armadas
Dia 25 de Outubro (18h 30m)
• Sérgio Ribeiro - (Economista) • Luís Fazenda - (Professor/Deputado)
Dia 29 de Outubro ( 18h 30m) Sab.
• João Arsénio Nunes - (Historiador/Assistente Convidado do ISCTE)
• José Gusmão - (Economista/Deputado)
Dia 4 de Novembro (18h 30m) 6ªf
Manuela Silva - (Economista/Ex-Professora Catedrática Convidada do ISEG)
• Rui Namorado Rosa - (Físico/Professor Catedrático da Universidade de Évora)
Dia 11 de Novembro (18 30m) 6ªf
• Francisco Louçã - (Economista/Professor Catedrático do ISEG))
• Rogério Roque Amaro - (Economista/Professor Associado do Departamento de Economia do ISCTE)
• José Carlos Marques - (Editor)
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