quinta-feira, 4 de novembro de 2010

CONTRIBUTOS DO ASSOCIATIVISMO PARA A LUTA CONTRA A EXCLUSÃO

Se existe um impulso para a união de esforços com vista a ultrapassar dificuldades básicas que não possam ser resolvidos individualmente, a forma associativa para combater a pobreza e a exclusão é decerto uma das mais comuns e mais antigas. É certo que a modernidade, com o progresso e a democracia, trouxe a promessa de instituir sistemas de protecção organizados capazes de assegurar padrões de vida decentes para todos e eliminar o espectro da pobreza e exclusão. Mas essa promessa não foi cumprida, ou não foi suficientemente cumprida, até hoje.

A acção colectiva, cooperação ou associativismo voluntário para a defesa das necessidades básicas de existência são muito antigos e apresentam-se sob as formas mais diversas - entreajuda camponesa, mutualismo operário, filantropismo, caridade cristã, solidarismo republicano - e, decerto, adequadas aos diferentes contextos económicos, políticos e culturais.

O seu êxito dependeu sempre de muitos factores e, em sociedades menos urbanizadas como as nossas actuais, ele esteve positivamente associado à partilha de interesses e objectivos entre o colectivo, ao interconhecimento e à confiança mútua, à proximidade social e cultural, aos recursos mobilizados, à existência de lideranças aceites e à ausência de free riders.

Hoje, esse tipo de associativismo, que poderiamos qualificar de proximidade, esbarra com o fenómeno da individualização gerado em sociedades hedonistas e competitivas, com a indiferença pelo sofrimento e pela miséria banalizados pelos média, com a derrocada das instituições que sempre conhecemos e em que confiávamos, com um discurso político falsamente emancipador, e perde, assim, força e seguidores.

O grande desafiio que temos pela frente é reanimar o associativismo e a cooperação solidária e ajustá-los a um mundo feito de diversidades sociais e ocupacionais, de anonimato e desconhecimento, de vínculos esporádicos e contingentes, de multiplicidades culturais e étnicas, enfim de exigências conflituantes e de incertezas.
Tarefa difícil em que muitos estamos envolvidos e relativamente à qual algumas questões ganham de imediato pertinência:

- como mobilizar em torno de objectivos sociais pessoas que não se conhecem? como gerar a confiança necessária para a acção colectiva? Qual o cimento a usar para a mobilização - político?, religioso?, moral?, cívico? - e qual a sua valia?

- como alargar o espectro social do associativismo sem cair no filantropismo ou criar dependências clientelares? como envolver os destinatários das ajudas sem os degradar à condição de objectos? Como evitar que as associações se tornem em trampolins de promoção social e política?

- como promover acções consistentes, mobilizar recursos e promover inclusão de uma forma autónoma relativamente aos poderes económico e político? Como garantir a flexibilidade das respostas, a inovação e criatividade social e, ao mesmo tempo, evitar a institucionalização das associações na dependência do Estado?

- como assegurar, em simultâneo, a vida democrática da associação, a densificação das redes sociais e a participação incondicional dos destinatários? Como reorientar a força dos grupos primários e do associativismo de bairro para um associativismo de defesa de direitos sociais e de combate às desigualdades e às exclusões?

- como envolver e interessar as pessoas nos problemas das suas comunidades, dinamizar o espaço público da cidadania e aprofundar a democracia participativa através das associações?

A reflexão que proponho toma por base estas questões e faz apelo à experiência acumulada dos participantes, individuais e colectivos, para lhes dar resposta e contrariar, assim, o fatalismo em que a sociedade portuguesa se encontra mergulhada.

PH (CES)
1/11/2010

domingo, 31 de outubro de 2010

DEMOCRACIA PARTICIPATIVA E REPRESENTATIVA, ASSOCIATIVISMO E CIDADANIA


Era uma vez um país que foi obrigado a viver muitos anos sem um tesouro que lhe tinha sido roubado e que um dia finalmente voltou a conquistar. As pessoas abraçaram-se deslumbradas, abriram o cofre onde estavam a democracia, a liberdade, a solidariedade, a cidadania e muitas outras pedras preciosas que puderam tocar com as suas próprias mãos, e com esse tesouro começaram a fazer algumas maravilhas e também alguns disparates, porque nem todos estavam preparados para esta surpresa, e porque a palavra “poder” é equívoca em português -tanto pode significar “ser dono de” ou “ter autoridade para” como “ter capacidade para” ou ainda “ter a responsabilidade de”.
Nestas andanças, o povo, com o poder nas mãos, escolheu alguns de entre si, em quem confiou para gerirem o tesouro reconquistado, pondo-o a render para todos. Contudo, entre os eleitos, havia uns tantos indivíduos contaminados pelos equívocos da palavra “poder”.
Com o passar dos tempos, os eleitos foram-se fechando com o cofre do tesouro num castelo de muros muito altos e o povo foi-se desinteressando do que se passava lá dentro, e começou a passar mais tempo sentado, nos sofás, nos estádios e noutros locais de consumo.
Hoje, é já grande o fosso entre o povo e os muros do castelo, mas não há dúvida que esse fosso tem sido escavado por todos.
Poderia este país ser Portugal? Uns poderão dizer que sim, outros que não… Alguns até talvez se lembrem que, se agora, num castelo qualquer, fosse possível descobrir um tesouro de pedras preciosas, poderíamos conseguir pagar a dívida do país, acabar com a crise e continuar tranquilos com a nossa vidinha do costume, povo para um lado, eleitos para o outro, e grandes senhores nos bastidores, todos cavando nas margens do fosso que nos separa…
Mas voltemos à estória. Há nela uma coisa que não posso aceitar: ao comparar a democracia, a liberdade, a solidariedade e a cidadania com pedras preciosas, fica uma auréola de magia depositada em coisas que estão fora de nós e que podem mesmo ser guardadas num cofre roubado ou escondido, até que venha um herói ou uma fada salvar o tesouro e devolvê-lo a todos nós…
Ora, estas quatro palavras só vivem por dentro das pessoas e só se desenvolvem na relação humanizada entre pessoas, grupos e comunidades; têm nelas uma energia própria do ser humano e potenciam-se na relação em que o “eu” e o “tu” se transformam em “nós”. Apetece dizer que são palavras colectivas, com gente dentro, tal como o são também o diálogo, a partilha, a entreajuda, a cooperação, etc, etc. Aqui, talvez alguém pudesse dizer que a liberdade é acima de tudo uma energia individual, e isso faz-me pensar numa frase de Paulo Freire: “Ninguém liberta ninguém; ninguém se liberta sozinho; as pessoas libertam-se em comunhão.”
De facto, é à medida que cada pessoa e cada comunidade tomam consciência de que são sujeitos activos no processo de desenvolvimento da democracia através de práticas solidárias, que os esforços se esbatem (fossos entre ricos e pobres, incluídos e excluídos, eleitos e não eleitos, etc.), dando lugar aos alicerces da cidadania.
Os mais curiosos em conhecer o que diz a Constituição Portuguesa sobre a democracia ficarão talvez surpreendidos por nela se conferir igual dignidade e importância à democracia participativa e à democracia representativa. Sobre a primeira, aliás, referem-se múltiplos espaços e mecanismos pelos quais pode ser exercida, mas já no que respeita à garantia de condições para o respectivo exercício, apenas estão estabelecidos dispositivos em relação às formas de democracia representativa.
As associações constituem obviamente espaços fundamentais para o desenvolvimento da democracia participativa. Contudo, será importante reflectirmos sobre até que ponto os processos democráticos e de participação estão vivos no seio de muitas associações, face aos condicionalismos por diversos factores; igualmente importante será pensarmos no grau de atenção e capacitação das associações relativamente à sua intervenção como sujeitos participantes na produção de cidadania.
Por outro lado, estendendo o nosso olhar para além das associações, somos capazes de identificar muitos outros espaços potenciais para o desenvolvimento da democracia participativa, desde as relações familiares aos espaços de vizinhança, às escolas, aos locais de trabalho, aos grupos informais unidos em torno de motivações comuns, aos serviços públicos, empresas, ONGs, etc.
Trata-se afinal de descobrir que no nosso movimento de procura dos caminhos para “ser mais”, entramos em comunicação com outras pessoas que vivem o mesmo movimento e se confrontam com condicionalismos semelhantes aos nossos, cada um de nós dispondo de experiências, saberes e capacidades que, postos em comum, podem superar a impotência que sentimos quando tentamos lutar sozinhos.
Esta energia alimenta-se portanto do diálogo (escutar/dizer/discutir/descobrir) que só é possível quando há proximidade. Ao longe, as pessoas diluem-se em estereótipos, penduramos-lhes etiquetas e dizemos “os imigrantes”, “as mulatas”, “os ciganos”, “as velhas”, “os pobres”, etc, etc. Pelo contrário, quando há proximidade passamos a ver a Luisa ou o João, e através do diálogo tocamo-nos como pessoas, partilhamos leituras da vida, emoções e afectos. Do diálogo pode então resultar alguma partilha de olhares e recursos que leve a um compromisso conjunto numa construção/transformação face aos desafios comuns.
E isto é democracia participativa desde que as formas de comunicação entre as pessoas envolvidas sejam relações niveladas pelo diálogo entre pessoas-sujeito, e que o trabalho de construção/ transformação seja uma cooperação em que cada um se reconhece como fazendo parte do grupo na realização duma iniciativa assumida por todos.
Outra maneira de retomar a estória com que iniciámos este texto, será dizer simplesmente que após 50 anos de ditadura, repressiva das liberdades, orgulhosamente só, e responsável pela guerra colonial, Portugal emergiu para uma era democrática há 36 anos. Mas o exercício da democracia está cada vez mais doente.

É uma doença insidiosa, que começou talvez com a aposta num modelo de desenvolvimento económico que provocou o crescimento do litoral urbano e o afundamento do interior rural; a doença alastrou entretanto pelo sedentarismo guloso duma sociedade de consumo, alimentando-se sentada com os subsídios que deviam levar a actos produtivos, deixando-se embalar por uma globalização neoliberal homogenizadora, até acordar de súbito com o estrondo da crise económica mundial.
Pelo caminho, a democracia participativa poderá estar a definhar e a democracia representativa poderá estar a alienar-se.
Ao lutar hoje pela revitalização do associativismo e da democracia participativa, temos consciência de estar à procura de caminhos alternativos em que se desenvolva a capacidade de consciência crítica e a cooperação solidária entre os cidadãos, como quem acorda de um sono letárgico e começa a enfrentar os desafios.
As propostas de caminhos a percorrer parecerão talvez insignificantes e vulneráveis, face ao peso das forças que nos constrangem.
Mas uma comunidade é um conjunto de pessoas solidárias, conscientes dos seus recursos e limitações que se põe em movimento para transformar o mundo a partir do que está ao seu alcance; e muitas comunidades poderão promover uma transformação cada vez maior.
Afinal, a democracia participativa praticada pelas associações e por muitos outros actores sociais é uma cultura e uma praxis de indignação, de resistência, de luta e de esperança, visando a afirmação de alternativas de vida mais dignas. Constitui por isso um trampolim para uma cidadania com horizontes cada vez mais largos.
Poeticamente, podemos sintetizar estas ideias, dizendo que é preciso partir duma cidade de que nos fala Ary dos Santos (A cidade é um chão de palavras pisadas / a palavra criança a palavra segredo / A cidade é um céu de palavras paradas / a palavra distância e a palavra medo ) para a cidadania simbolizada no poema Utopia de José Afonso:
Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
Afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo mas irmão
Capital da alegria
(…)
António Ferreira

sábado, 23 de outubro de 2010

INSCRIÇÕES CONFIRMADAS PARA O CONGRESSO

Para conhecimento, aqui vai a lista das inscrições colectivas e individuais confirmadas para o Congresso:

ICE – Instituto das Comunidades Educativas, Vanda Teresa Soares Gaspar, Rodrigo Ribeiro, Associação de Cubanos Residente em Portugal, Artur Cristóvão, Rut Marquetto, Suelen Rodrigues, João Paulo Martinho, Ana Carreira d’Espiney, Cesário Borga, Odete Cruz, CPDF, CIDAC, Celso Antão, Maria de Lurdes Cravo, Lígia Calapez Gomes, ADPM, Clube Português de Autocaravanas, António Barros Mota, Fernando Paulino, SOS Racismo, GAF, Alberto Melo, António Cardoso Ferreira, Maria José Cardoso Ferreira, Bruno Leal, UMAR, João Caramelo, Manuel Joaquim Dias, Gabriel Nuno Ludovice Simões, Elsa Eduarda Mendes, Gabinete da Juventude da Câmara de Setúbal, Centro de Estudos Vasco da Gama, Patrícia Figueiredo, Olga Mariano, Mirna Montenegro, Cívis – Associação para o Aprofundamento da Democracia, João Manuel Vilhena Diegues, Associação Tempo de Mudar Desenvolvimento Bairro Loios, Maria Madalena Carrito, Hugo Ricardo Palma Coelho, João Paulo Gonçalves Ribeiro, Luís Moreno, Vanessa Duarte de Sousa.

Esta lista será actualizada sempre que possível!

Saudações a todos!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

INSCRIÇÕES PARA O CONGRESSO


as inscrições para o Congresso estão a chegar!
Já temos associações e cidadãs e cidadãos desde o Norte até ao Sul do país!
O Congresso está a mexer!
Brevemente, mais informações sobre os participantes!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

II Reunião Covilhã 11 de Setembro

RELATO DA SEGUNDA REUNIÃO REALIZADA NA COVILHÃ NO ÂMBITO DA PREPARAÇÃO DO CONGRESSO DO ASSOCIATIVISMO E DA DEMOCRACIA PARTICIPATIVA

Conforme ficou marcado quando da primeira reunião, efectuada em 15/05/2010, e confirmado por mail enviado em 03/09/2010, realizou-se a segunda reunião preparatória do Congresso do Associativismo e da Democracia Participativa, no dia 11/09/2010, na sede do Grupo Desportivo da Mata, na Covilhã.
Estiveram presentes dez pessoas, estando representadas seis associações (José Duarte e Maria Alexandrina Alves, da Base-FUT; Rui da Eufrásia, Maria José Ferreira e António Ferreira, do GAF – Gouveia; José Silva, do Grupo Desportivo da Mata; Guida Martins, da ADETEIXO; António José Santos, da Associação Cultural Estrela – Unhais da Serra; Luis Madeira, do CIDAC; e Jaime Silva).
A reunião iniciou-se pela apresentação das pessoas e por uma pequena exposição sobre o historial do Grupo Desportivo da Mata, feito pelo seu presidente, José Silva.
O facto de esta associação, fundada em 1961, ter congregado um número considerável de pessoas residentes na mesma zona, muitas delas ligadas à indústria têxtil, e ter constituído não só um espaço de convívio, desporto e cultura, mas também um conjunto de experiências solidárias, de animação e de desenvolvimento da consciência política e do exercício da cidadania, foi motivo de algumas reflexões e contributos sobre a evolução do associativismo na Covilhã e outras zonas afins, ao longo dos últimos 50 anos, o que veio enriquecer o enquadramento do congresso em preparação.
Seguidamente, foram dadas informações e foi distribuída documentação referente ao processo preparatório do Congresso.
O facto de o local da realização ter sido alterado para Lisboa por não se terem conseguido em Tondela nem em Palmela as condições logísticas desejáveis, foi objecto de várias intervenções, tendo-se decidido manifestar à Comissão Promotora a disponibilidade do grupo presente nesta reunião para promover diligências junto da Universidade da Beira Interior (UBI) , na Covilhã, para a realização do Congresso, nomeadamente caso se voltassem a verificar novas dificuldades logísticas em Lisboa e/ou se considerasse ser ainda oportuna nova mudança de local.
A partir das ideias-chave do Congresso, temas das Tertúlias, resultados desejáveis com o movimento em curso, e intervenções ao alcance dos participantes nesta reunião, ocorreu um debate bastante participado, do qual sublinhamos alguns aspectos:
--- O longo número de anos em que os portugueses viveram sem o direito de exercer a democracia marcou muito a nossa cultura e comportamento.
--- Mesmo em associações muito empenhadas em actividades de cidadania, não há grande disponibilidade para duma forma um pouco mais distanciada das iniciativas concretas que as sobrecarregam, pensar o que faz falta para dar sentido e força a este movimento de construção/transformação.
--- Os condicionalismos da sociedade em que vivemos reforçam em muita gente o alheamento pela Democracia Participativa, mesmo dentro das próprias associações.
--- Os poderes instituídos reforçam por parte das associações uma postura “de mão estendida“ e sancionam-nas com um “fechar a porta“, quando o seu comportamento não lhes agrada, o que contribui para substituir a democracia pela manipulação, extinguir ou perverter associações, etc..
--- O poder distancia-se cada vez mais da missão e da capacidade de servir a comunidade.
--- O “carreirismo político profissional” vai abrangendo um número crescente de jovens.
--- É importante que o Congresso contribua para um diagnóstico da situação em que nos movemos e aponte pistas que se projectem em acções transformadoras desta realidade. Daí que, se a visibilidade do Congresso é importante, mais importante ainda é o que venha a ser possível em acções a partir dele.
--- Cada um de nós é desafiado a assumir um papel animador junto das pessoas, grupos, associações, etc, com quem contactamos,no sentido de contribuirmos para que possa emergir a consciência crítica face às realidades que nos condicionam, a par da energia que nasce do diálogo e da cooperação para objectivos comuns.
--- Não ficou programada nenhuma próxima reunião antes do Congresso mas combinou-se que devíamos continuar a partilhar informações, experiências e contactos com outros grupos e associações, além de nos disponibilizarmos à interajuda face a situações que possam ocorrer no âmbito da preparação do Congresso e no alargamento das pessoas envolvidas no mesmo.
--- Apelou-se à urgência em avançar com os processos de inscrição no Congresso através do respectivo site.
--- No final da reunião, realizou-se uma visita guiada às instalações do Grupo Desportivo da Mata, reveladora do dinamismo e da cooperação que sustentam as diversas actividades desta Associação.
António Ferreira

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Congresso do movimento associativo e da democracia participativa - Reunião Regional de Portalegre

Escola Superior de
Educação de Portalegre
Presenças:
Associação de Desenvolvimento Tégua;
Sociedade Musical Euterpe;
Grupo Folclórico e Cultural da Boavista;
“O Semeador” – Grupo de Cantares de Portalegre;
Instituto das Comunidades Educativas;
Escola Superior de Educação de Portalegre
Moderador e animador: Rui D’Espiney

Nota síntese

No âmbito de um conjunto de reuniões e contactos que se sucedem pelo país, realizou-se esta reunião regional, de modo a debater algumas questões em torno do movimento associativo e processos de participação democrática que potencialmente estarão presentes em acções de desenvolvimento, de animação e produção cultural.

Neste contexto, o congresso que progressivamente se estrutura para o mês de Novembro,em Lisboa, poderá ser uma oportunidade para uma intervenção directa das associações, de partilha de sucessos e dificuldades.

De igual forma, esta reunião abordou as potencialidades de uma indução progressiva da reflexão em torno de novas formas de relação do poder, com o poder e de exercício do poder,centradas em questões como a cidadania e a promoção da participação crítica com base na diversidade. Neste sentido, foram afloradas necessidade de se pensar o actual modelo de desenvolvimento e, em consequência, de se equacionar a hipótese de construção de alternativas. A dependência excessiva de apoios e subsídios pode ser um constrangimento à acção.

Tornou-se interessante verificar como o trabalho desenvolvido por cada associação presente,nomeadamente na possibilidade de ultrapassar de dificuldades, pode apontar pistas para aconstrução de sustentabilidade do movimento associativo. A construção de um movimento cada vez mais alargado, com a realização do congresso em Lisboa, poderá contribuir para encontrar novos significados e sentidos, no contexto de intervenção de cada associação presente.

Os grupos e associações presentes revelaram interesse no congresso e equacionam a possibilidade de uma nova reunião em finais de Outubro. Até lá contactarão novas associações.

Foi distribuída alguma documentação já disponível e sugerida a consulta ao sítio da internet do congresso para actualização permanente. Esta síntese será enviada para ser partilhada por todos.

30 de Setembro de 2010
Amândio Valente