quinta-feira, 29 de julho de 2010

REORIENTAR E RECENTRAR O CONGRESSO – PROCESSO ! (na base das Ideias de António Cardoso Ferreira)


Espero que o Escrito Excelente de A. C. F., com as suas reflexões, ideias e alertas, tenham ECO na Com. Prom., e todos os Mobilizados para o Congresso, de forma a tirar as devidas Ilações e, assim, reorientem e recentrem os Objectivos e Temáticas Principais do Congresso e da fase final do seu Processo.
Chamo à atenção para as prioridades retiráveis de ACF, como sejam:
- relevância para a caracterização dos “Outros” e das Envolvências de escalas diversas;
- clarificar as “Realidades Reais” do nosso Associativismo e encontrar pistas para a sua transformação;
- reflectir, para AGIR, sobre as adequadas Formas de Exercer as Democracias Participativas.
Considero necessário a produção dum Documento-Texto que actualize os objectivos, temas e prioridades do Congresso e defina os passos e iniciativas a suscitar para estes três meses finais.
Considerando que a teimosia e obstinação são más conselheiras, fico na expectativa de que surgirão inovações no Pocesso-Congresso, face à situação e fase do Associativismo e Democracias Participativas em Portugal.
Obrigado António ! Saudações Solidárias !
José Carlos Albino
Assoc. “Engenho & Arte” Messejana
28 de Julho de 2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Cinco “ PROVECACÇÕES “ a partir de palavras difíceis de ler por dentro e trazidas por associações livres


Olá amigos!


Esta é uma primeira tentativa de texto provocatório.Agradeço críticas, sugestões, ecos e acções.

Um abraço do António


NOTA PRÉVIA: “ PROVECACÇÕES “ é uma palavra nascida na preparação do Congresso do Associativismo e da Democracia Participativa. Resulta da combinação de três palavras que exprimem os passos do próprio movimento pelo Congresso: Provocação+ Eco+ Acções.

A cada um de nós compete provocar/desafiar os outros com as suas ideias e propostas, pretendendo-se que estas tenham eco nas reflexões que venham a ser feitas e partilhadas, sendo desejável que a provocação e o eco tenham como resultado palpável acções assumidas por nós próprios em torno da realização do Congresso e para além dele.

1ª Provecacção “ Eles “

“ Eles “ ditam as modas… Eles manipulam o movimento das bolsas… Eles controlam o mercado… Eles enriquecem à nossa custa… Eles sabem como fazer a guerra onde e quando lhes convém…

Não sei desde há quantos anos “eles” invadiram o nosso pensamento e as nossas frases como sujeitos abstractos e anónimos que vão presidindo à evolução dos nossos destinos.

Não se trata sequer daqueles protagonistas que todos conhecem dos écrans televisivos ou dos comícios, mobilizando multidões para actos eleitorais em que a democracia se contenta em delegar platonicamente um poder cada vez mais fictício. Trata-se, sim, de figuras que se movem na sombra dos bastidores, manobrando os cordelinhos de um imenso teatro de “marionettes”. E à medida que se generaliza o hábito de os designarmos por “eles”, elevando-os a um estatuto de semi-deuses, sentimo-nos cada vez mais pequenos e impotentes para interferir, não só no guião do realizador da peça teatral, mas inclusivamente no humilhante papel que nos compete representar.

2ª Provecacção “ Duas globalizações falsas gémeas “

E de súbito vem-me à ideia que talvez tenhamos começado a falar mais “neles” e “deles” a partir do momento em que surgiu aquela palavra grande, do tamanho do mundo, chamada “globalização”.

E ao pensar “globalização”, parece-me que há duas palavras homónimas (lembram-se?, são aquelas que se escrevem da mesma maneira mas têm sentido diferente). De facto, há uma “globalização” que nos diz que tudo tem a ver com tudo, que nos aproxima dia a dia do que antes era longínquo, que nos mostra que não podemos virar as costas ao resto do mundo, que nos apela a preservar o ambiente aqui e agora para que o planeta tenha futuro, que acorda em nós a solidariedade em relação aos seres humanos espezinhados nos seus direitos fundamentais, mesmo que vivam a muitos milhares de quilómetros da nossa terra, e que pode gerar movimentos de denúncia e revolta que alastram e acabam por conseguir mudanças transformando-nos em cidadãos do mundo.

Mas há também uma “globalização” homogeneizante e impositiva, a ditar as novas modas, a reproduzir brinquedos, e roupas, e hotéis, e tipos de comida, e músicas,e livros “best-sellers”, iguaizinhos por toda a parte, fazendo as pessoas esquecer-se ou até envergonhar-se daquilo que antes fazia parte da sua identidade cultural, parecendo mesmo que o preço da não exclusão social é o de consumir e usar estas coisas que nos tornam cada vez mais parecidos uns com os outros.

Dito de outra maneira, parece-me que a primeira “globalização” se movimenta do micro para o macro, de baixo para cima e se conjuga com os verbos conscientizar, ser solidário, desenvolver. A segunda move-se do macro para o micro, de cima para baixo, e conjuga-se com os verbos dominar, homogeneizar, consumir.

3ª Provecacção “ Entre redes sociais, reais e virtuais “

E à medida que pensava nestas coisas, apareceram-me mais duas palavras a querer entrar. São as palavras “real” e “virtual”. Mas, para lhes abrir a porta vou contar uma coisa que me aconteceu. Há cerca de dez anos, estive empenhado, com gente de diversos serviços e associações, na criação da Rede Social de Gouveia --- constituição de um Conselho Social de Acção Social, elaboração do Diagnóstico Social, discussão em torno das prioridades e formulação de um primeiro Plano de Desenvolvimento Social. Julgo que muita gente, em todos os concelhos do país, terá participado em processos semelhantes. Ora, nos últimos tempos, voltei a ouvir falar muito de Redes Sociais, mas não da de Gouveia e sim do Facebook, do Hi-Five,etc. Será isto um “sinal dos tempos actuais”? Naturalmente, ambos os tipos de Redes Sociais acima referidos têm o seu espaço e objectivos próprios. O problema está no risco de as Redes Sociais “macro” engolirem as “micro”, o que tem a ver, por exemplo, com a extinção progressiva dos espaços de vizinhança, dos grupos informais das associações locais e da interacção entre os membros da mesma comunidade, etc, enquanto proliferam relações entre pessoas longínquas, que até podem apresentar-se e imaginar-se mutuamente duma forma muito mais virtual que real.

4ª Provecacção “ Comunicação/Solidariedade/Produção”

E eis que na minha memória aparece o flash da recordação de um encontro, nos anos noventa, em que se abordava o estilo de ocupação dos tempos livres entre os jovens, e no qual me apercebi que estava a decair o investimento nas práticas de desporto e lazer com carácter colectivo ( desportos em equipa, grupos de convívio com iniciativas, etc); em contrapartida, aumentava o número de horas diárias frente à televisão, ou ouvindo música pelas ruas com auscultadores, ou ainda em jogos de computador e Playstation.

Nesse encontro, alguém dizia também que estas mudanças se associavam à maior tendência, entre os adolescentes, para o individualismo e para o consumismo, com prejuízo dos seus potenciais de comunicação interpares, de solidariedade e de investimentos produtivos.

Curiosamente, o meu cérebro “puxou” ainda por uma leitura recente para “casar” com esta memória de há uns doze ou quinze anos. Daniel Sampaio, na crónica “porque sim” (Pública, 18/07/2010 ) escreve em dado momento:--“ A oralidade está a perder-se nas famílias, onde se conversa cada vez menos; nas escolas, onde a burocracia ministerial e as dificuldades psico-sociais de muitos jovens fizeram perder o gosto de interacção livre professor-aluno e a alegria de muitos professores em ensinar; nas comunidades, onde se desvaneceu o prazer da tertúlia e se esgotou a solidariedade de vizinhança. As novas gerações, os “net-geners” de Don Tapscott, usam a televisão como música de fundo, enquanto abrem janelas no computador e fazem à pressa os trabalhos escolares”.

5ª Provecacção “ As Associações Livres “

No subtítulo deste texto fala-se em “associações livres”. Será isto apenas uma referência às sucessivas associações de ideias que servem de mote para as “provecacções” aqui expostas?

Ou haverá também a intenção de aproveitar o “trocadilho”,questionando sobre o grau de liberdade das associações de que eventualmente façamos parte? Que liberdade sobra para além da dependência de subsídios, do espartilho das leis e da burocracia, da pressão consumista e competitiva que nos rodeia?

Não esqueçamos que estas cinco provecacções estão incompletas. O texto apenas contem a primeira parte delas---a provocação. O desafio é sermos “nós” a enfrentar os “eles”, partilhando os ecos reflectidos a partir das palavras e apontando para acções capazes de se aventurarem no risco de “torcer o destino”.

Gouveia, 22 de Julho de 2010 António Cardoso Ferreira

segunda-feira, 5 de julho de 2010

PARTICULARIDADES E ESPECIFICIDADES DO PROCESSO DE PREPARAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO CONGRESSO DO ASSOCIATIVISMOE DA DEMOCRACIA PARTICIPATIVA



Rui d’Espiney (ICE)

1. As preocupações do movimento associativo com as condições necessárias ao seu funcionamento e existência não são de agora. Ao longo dos anos, muitos, e de variado âmbito, foram os Encontros, os Fóruns, os Debates que se realizaram tendo em vista caracterizar as potencialidades e constrangimentos que a ele se levantam, havendo-se inclusivamente identificado e fundamentado um sem número de reivindicações e aspirações passíveis de contribuir para o seu desenvolvimento e sustentabilidade.


Recuperando e potenciando toda a reflexão até hoje realizada, o movimento que se iniciou tendo em vista a organização de um Congresso do Associativismo e da Democracia Participativa não se limita, no entanto, a ser um mero acto de continuidade.


Três ordens de factores ditam, com efeito, a especificidade que o define e caracteriza. A saber:

- O momento em que surge;

- Os propósitos que prossegue,

- O modo como se desenvolve e organiza.


2. Quanto ao momento, pode dizer-se que os tempos são únicos, marcados que estão por uma crise multifacetada:


Crise, sem igual, das associações com muitas delas lutando pela sobrevivência, obrigadas a recorrer ao crédito ou a despedir técnicos, pese embora a riqueza e a importância económica, cultural social e politica das dinâmicas e actividades que animam.


Crise económica (financeira), sem precedentes, que se procura resolver por recurso às lógicas e práticas que produziram essa mesma crise e sem nunca se considerarem as soluções de alternativa e ruptura presentes nas iniciativas de economia solidária a que se acham ligadas muitas associações.


Crise social (desemprego, pobreza, desigualdades) cada vez mais acentuada e face ao qual o Estado se revela impotente e madrastro tendendo a retirar meios a quem a combate.


Crise da democracia representativa, por um lado marcada pelo alheamento dos cidadãos e por práticas pouco participativas, e por outro ameaçada nos seus próprios fundamentos – como o mostram as vozes que já se ouvem a favor da transferência de competências do legislativo para o executivo ou a possibilidade, emergente, de se submeter os orçamentos portugueses a vistos prévios da Europa.


Crise da Democracia Participativa, com os cidadãos afastados dos Centros de decisão, transformados em utentes, invadidos na sua intimidade, impedidos, pelo medo, de impor os seus direitos e de fazer jus à sua dignidade nos serviços e empresas de que dependem ou a que recorrem.


3. Quanto aos propósitos, distingue-se todo este processo por pelo menos 6 grandes ordens de razões:


• Em primeiro lugar, e desde logo, pelo facto de se querer que ele assuma a forma de um movimento social que, em última analise, pugne por uma redistribuição dos poderes no quadro por uma democracia efectivamente plena. O Congresso surge, não como um fim em si mesmo mas como um momento passível de impulsionar este movimento.

• Em segundo lugar, pelo facto subsequente de se assumir como um projecto político onde está em causa, não apenas a viabilização da democracia participativa mas também, ou inerentemente, a requalificação da Democracia Representativa, chamada a abrir-se à participação dos cidadãos nos domínios de decisão que lhe vem cabendo.


• Em terceiro lugar, pelo facto de procurar implicar associações trabalhando nos mais diferentes domínios – Saúde, Educação desenvolvimento Ambiente - e orientados para públicos diversificados – idosos, imigrantes, mulheres, etc.


• Em quarto lugar, pelo facto de, indo buscar a sua força ao associativismo, considerar que a Democracia Participativa se não esgota nesta, que há outras formas organizadas de Democracia Participativa que não apenas as Associações e que há diversos “espaços” na sociedade onde o défice de Democracia deve ser combatido (escolas, empresas, Instituições, etc).


• Em quinto lugar, pelo facto de, apoiando-se no Associativismo, eleger como objecto de reflexão as próprias associações reconhecendo que também muitas delas tendem a assumir-se como espaços de continuidade e não de rotura com os poderes instituídos, que também muitas delas não promovem e acima de tudo não produzem participação, que também muitas delas carecem de questionar(se) quanto ao que se entende e deve ser o associativismo cidadão.


• Em sexto lugar, e finalmente, - em grande medida transversalmente aos propósitos anteriores – pelo facto de se pretender induzir o desenvolvimento de um pensamento crítico que contribua para uma pratica e uma abordagem alternativa no domínio ao desenvolvimento e da construção do futuro.


4. Quanto ao modo como se desenvolve e funciona este processo, distinguem-no pelo menos quatro aspectos.


► Em primeiro lugar, a circunstância de assumir como dimensão “estruturante” a informalidade, bem patente no funcionamento da promotora, espaço aberto, de geometria variável (integrando quem aparece); ou na opção de dar aos espaços de debate no Congresso a forma tertúlias, voltadas para a troca, a partilha e a simetria na participação;


► Em segundo lugar, a circunstância de se estar a organizar de “baixo para cima”, apostando-se na multiplicação de reuniões a nível local e regional orientadas, não apenas para a mobilização mas para a reflexão, para a formulação de propostas (de temas de debate)


► Em terceiro lugar, a circunstância de se procurar induzir, no próprio processo da mobilização para o Congresso, a construção ou promoção de redes de associações tendo em vista contribuir para combater o seu isolacionismo.


► Em quarto lugar, e finalmente, a circunstância de se “fechar” o Congresso com uma Assembleia Deliberativa de que possam sair dois tipos de documentos:


Um texto de orientação estratégica tendo em vista o combate pela construção da Democracia Plena, a partir da afirmação da Democracia Participativa, hoje em deficit e a explicitação de um caminho alternativo para a superação da chamada crise.


Um caderno reivindicativo que responda às preocupações das associações, confrontados que estão, hoje, com a sua própria sobrevivência.

domingo, 27 de junho de 2010

As grandes linhas da política de acolhimento e integração de imigrantes em Portugal

TEXTO DA SOLIM acerca do documento "As grandes linhas da política de acolhimento e integração de imigrantes em Portugal"
, proposta de Cheikh Brahim Abdellahi para ser discutido numa tertúlia do Congresso

Este documento (As grandes linhas da política de acolhimento e integração dos imigrantes em Portugal)(ver o texto clicando no título) apesar da nossa reserva sobre alguns pontos que constam nele, mas consideramos que representou um passo importante no sentido de concretizar a plena igualdade em relação dos imigrantes, uma vez que reflecte a política oficial do governo e goza um consenso ao nível da classe política representada no parlamento. Por isso o apresentamos como uma referência de uma política que precise-se de ser activada e corrigida para proporcionar uma participação activa e de plena igualdade de um universo de mais de 10% da população residente, como uma questão do princípio e não só uma acção pragmática, assim apontamos: (Mesmo as restrições ainda colocadas ao nível da participação política devem progressivamente desaparecer, pois não chega a participação política ao nível autárquico que a Constituição Portuguesa já prevê, em regime de reciprocidade). Pois Devem desaparecer, uma vez que já avia um consenso político para levantar as referidas restrições e apoio popular maioritário, segundo um inquérito publicado há anos detrás no Eurostat. Mas ninguém sabe porque sempre este levantamento adiado.

O direito de acesso a saúde: há lei que prevê o acesso a saúde para os imigrantes mesmo, os imigrantes indocumentados, mediante apresentação de uma declaração de residência da junta da freguesia nas suas áreas da residência. Mas as Juntas só passassem a referida declaração para quem apresenta dois carimbos, de dois comerciantes na zona, mas é difícil, um comerciante ceda um imigrante este carimbo. Portanto é preciso levantar este entrave, basta contrato do arrendamento.

(Num outro domínio particularmente sensível nos nossos dias - a gestão da diversidade cultural - a opção portuguesa é muito clara e pa
ssa pela afirmação do princípio da Interculturalidade que se define pelo cruzamento e miscigenação cultural, sem aniquilamentos, nem imposições. O problema que os leis feitos a favor a “Interculturalidade” cada um de eles contem aquele «entrave» que o deixa sem efeito, por exemplo a lei da liberdade religiosa que permite a possibilidade de administrar aulas religiosas para os descendentes das comunidades religiosas nas Escolas publicas, mas numero mínimo 10 alunos da mesma comunidade religiosa faz com que a única comunidade religiosa com acesso deste direito é a comunidade Católica. É necessário acabar com este entrave, o numero mínimo, 10 alunos, basta haver um pedido.

O programa de enriquecimento curricular podia ser instrumento de Interculturalidade mas os autores deste programa foram no sentido mono cultural. É necessário um trabalho sério nas áreas do Educação e mass- medias para transformar as boas ideias numa boa prática.


Cheikh Brahim Abdellahi

baye1959@hotmail.com

sábado, 26 de junho de 2010

programa provisório do congresso

No dia 19-6-2010 reuniu, em Coimbra, a comissão promotora do congresso do Associativismo e Democracia Participativa. Nesta reunião, foi acertado o programa provisório do congresso.




CONGRESSO DO ASSOCIATIVISMO E DA DEMOCRACIA PARTICIPATIVA PALMELA, 13 e 14 de Novembro de 2010
As inscrições para o congresso devem ser feitas até ao dia 29 de Outubro.
Deve ser remetida a ficha pelo correio para a morada da AJD: Lugar da Igreja, 4905-254 Deão, Viana do Castelo (morada que já consta do folheto), ou então enviar a ficha preenchida para email associativismo.cidadao@gmail.com
Juntamente com a ficha de inscrição, deverão enviar cópia do talão de pagamento da inscrição.
PROGRAMA PROVISÓRIO

Dia 13, SÁBADO
11:30h - ASSEMBLEIA DE ABERTURA
DEMOCRACIA PARTICIPATIVA: - linhas orientadoras do congresso ; - intencionlaidades do movimento da democracia participativa (Carmo Bica; Jean-Louis Laville– a convidar)
14:30h - 17:00h – TERTÚLIAS propostas pela comissão organizadora ou pelas associações que o queiram fazer, (que poderão vir a ser agrupadas no âmbito do 1º e 2º eixos de problematização).

17.30h - 19:00h - PLENÁRIOS DE SISTEMATIZAÇÃO:
1º eixo de problematização - O contributo do associativismo para a coesão social ou, dito de outra forma, para o combate a todas as formas de exclusão (Orientador: Pedro Hespanha)
2º eixo de problematização - O que se entende por associativismo cidadão, o que pressupõe identificar os sujeitos chave no exercício da cidadania e os espaços onde esta se deve desenvolver (Orientador: António Cardoso Ferreira)
A partir das 19 horas: animação por associações locais e demais participantes no congresso

Dia 14, DOMINGO

9:00h - 11:00h – TERTÚLIAS (que poderão ser agrupadas no âmbito do 3º e 4º eixos de problematização)
11:30h - 13:00h - PLENÁRIOS DE SISTEMATIZAÇÃO
3º eixo de problematização - Quais as formas que deve assumir a sustentabilidade do movimento associativo e, mais genericamente, da Democracia Participativa - a economia solidária (Orientador: Rogério Roque Amaro – a confirmar)
4º eixo de problematização - Que nova relação se tem de estabelecer entre a Democracia Participativa e a Democracia Representativa e, subsequentemente, a que reconfigurações deve esta obedecer para que faça eco da Democracia Participativa. (Orientador: Manuel Sarmento – a confirmar)
14:30h - 16.30h - ASSEMBLEIA DELIBERATIVA – linhas de acção para os documentos a produzir: Documento base/linhas orientadoras do Movimento; caderno revindicativo (Rui d'Espiney, Fernando Ilídio, um elemento da Solidariedade Emigrante a convidar)

sábado, 5 de junho de 2010

Relato da reunião de preparação para o Congresso do Associativismo e da Democracia Participativa, dia 15/05/2010 realizou-se, na Biblioteca Municipal

Na tarde de sábado dia 15/05/2010 realizou-se, na Biblioteca Municipal da Covilhã, uma reunião de preparação para o Congresso do Associativismo e da Democracia Participativa.

A iniciativa partiu do Grupo Aprender em Festa (GAF) de Gouveia e do Núcleo da Beira Interior da Base F.U.T., procurando-se abranger especialmente dirigentes e animadores associativos dos distritos da Guarda e Castelo Branco.

Estiveram presentes 15 pessoas, ligadas a nove associações e a um grupo informal.

De mais longe vieram os membros do GAF, do Núcleo Desportivo e Social (NDS) da Guarda e da Associação de Desenvolvimento “Pinus Verde” de Bogas de Cima – Fundão.

Ficou-se também a conhecer a Associação Cultural Estrela de Unhais da Serra, a ADETEIXO (Associação de Desenvolvimento Local do Teixoso) e três associações da vila de Carvalho, tudo localidades do concelho da Covilhã. Da própria cidade da Covilhã, esteve gente da cooperativa Coolabora, Grupo Desportivo da Mata e Grupo de Voluntários Alcoólicos Recuperados.

Estiveram ainda representadas a BASE – FUT pelo seu núcleo da Beira Interior e a Federação Distrital da Guarda das Colectividades de Cultura, Desporto e Recreio.

A par da apresentação das respectivas associações, partilharam-se as razões pelas quais cada um valorizava como gratificante a actividade associativa.

Sintetizando os principais pontos comuns das opiniões de todos os presentes, dois aspectos foram os mais salientes:

1) – o bom ambiente no interior de cada associação, em que o espírito de equipa, com base no diálogo e na participação, promove que cada um se sinta bem no seu papel e na relação com os outros, visto que é escutado e se empenha em conjunto nos objectivos comuns, ao mesmo tempo que se aprende o respeito mútuo face às diferentes perspectivas dentro do grupo;

2) 2 – a importância do papel da associação junto da comunidade, quer pelos estímulos e ajudas ao desenvolvimento de capacidades das crianças, dos jovens e dos adultos, quer pelos caminhos de solidariedade, da redução de injustiças, da melhoria ambiental, da valorização da cultura e da participação alargada e continuada, caminhos estes que vão dando frutos e constituem um exercício fundamental para a construção da cidadania.

O debate teve a participação de todos os presentes e a partir das abordagens feitas foram surgindo diversas sugestões e perguntas, a pôr à consideração do Congresso, quanto a medidas que possam dar resposta à situação actual.

Referimos em primeiro lugar alguns aspectos dos contributos mais centrados na identificação das dificuldades e suas causas. Seguidamente apresenta-se um conjunto de sugestões formuladas e questões para continuar a reflectir em próxima reunião preparatória do Congresso.

Contributos para a identificação das dificuldades e das suas causas

A maior parte das associações confronta-se actualmente com grandes dificuldades de financiamento para as suas actividades e a crise económica que hoje se manifesta na nossa sociedade está a agravá-las.

Há actividades associativas que podem ser auto-suficientes com boa gestão dos recursos, valorização do voluntariado e contributos daqueles que beneficiam dessas actividades.

No entanto, nas actividades de índole social, de apoio aos mais pobres e às minorias em risco de exclusão, não está geralmente ao alcance das associações torná-las auto-suficientes. E estas actividades, juntamente com outras que visem promover o Desenvolvimento Local, necessitam de trabalho técnico e de alguma continuidade, pelo que os subsídios são de extrema importância.

Por outro lado, os subsídios vindos do poder político central, regional ou local, têm muitas vezes “preferências” e “contrapartidas”, mesmo que só implícitas…Face a esta constatação, considerou-se ser fundamental uma definição e aplicação de regras claras e justas no que respeita aos critérios de apoio pelas entidades financiadoras. Em especial, no que respeita às autarquias, verificam-se diferenças consideráveis quanto ao grau de sensibilização para disponibilizar formas de apoio às iniciativas de desenvolvimento local. Em relação aos critérios de financiamento, predominou a opinião de que, quanto maior for o distanciamento entre a fonte financiadora e o nível local, mais garantia haverá de que esta não seja contaminada por critérios de “simpatia” ou “antipatia”. (Vale a pena citar, a título de exemplo, as dificuldades de algumas associações responsáveis por publicações locais para se manterem independentes face às pressões autárquicas…).

Face à política de contenção de despesas e às necessidades por satisfazer, especialmente em relação aos mais pobres, foi referido que as associações não têm que “andar de mão estendida” perante os órgãos do poder mas sim confrontá-los com o facto de deverem interpretar um certo montante de despesas com as associações como significando investimentos em actividades fundamentais para a cidadania, em que o papel das associações é muitas vezes insubstituível.

Outra dificuldade refere-se ao relativo isolamento em que muitas associações vivem, centradas na sua acção e sem diálogo ou partilha com outras associações vizinhas ou com afinidades no tipo de intervenção.

Sendo necessário que o movimento associativo constitua um verdadeiro órgão de pressão, capaz de ser interlocutor perante o poder central, regional e local, é urgente mudar esta situação.

Esta análise veio entretanto a desembocar na crise actual dos valores associativos dentro das próprias associações. Esta crise passa nomeadamente pela “empresarialização” progressiva de muitas associações, à medida que se centram sobretudo na prestação de serviços pagos pelas entidades financiadoras, necessitando manter um quadro de pessoal contratado e subvalorizando a dimensão do voluntariado e da participação directa dos associados nas decisões e na realização dos projectos em curso. Efectivamente, numa sociedade em que o individualismo vai crescendo a par do consumismo e da competição, é urgente reflectir sobre o deficit de democracia participativa no interior das próprias associações, tomando consciência que “há mais vida” para além das questões de financiamento e que a questão prioritária em relação ao futuro das comunidades e de toda a sociedade tem a ver com o nosso sentido de responsabilidade em relação aos outros e ao contexto em que vivemos (aliás, as escolas que “preparam para o futuro”, deveriam também questionar-se sobre até que ponto têm valorizado isto, que é afinal a base da cidadania…).

A recordação do período pós-25 de Abril, e da “explosão” de novas associações que então ocorreu, é o início de uma viagem entretanto invadida pelo poder dos partidos, subvalorizando as associações quando estas afinal são ou deveriam ser o principal garante da democracia participativa. Caricaturando o que se passa, poderíamos dizer que nos últimos 30 anos desta viagem tem crescido cada vez mais o fosso entre uma Democracia Representativa, exercida sobretudo por “profissionais da política” e uma Democracia mais apática que participativa, constituída por “quase-cidadãos”. A superação deste fosso é urgente para que a cidadania se desenvolva, e passa pelo alargamento da conscientização no que respeita à complementaridade e à cooperação recíproca entre a Democracia Representativa e a Democracia Participativa.

Em síntese, alguém referiu que o trabalho associativo deve ser uma escola de cidadania, um exercício de democracia participativa com afirmação pública crescente no nosso país e uma escola de gestão dos movimento solidários, com impacto futuro nas instituições e nas comunidades, a todos os níveis.

Sugestões e questões para continuar a reflectir pelas associações presentes nesta reunião e para pôr à consideração do Congresso:

1) Como será possível promover maior grau de auto-suficiência nas actividades associativas, através de uma melhor gestão dos recursos humanos e materiais de que cada associação dispõe e através da cooperação inter-associativa e com outras entidades, nomeadamente em relação à partilha de recursos e à capacitação das pessoas para a participação, para funções de gestão e animação, etc.?

2) Haverá vantagens em conseguir que um órgão do Estado assuma a coordenação e seja interlocutor face às associações em relação aos apoios financeiros a conceder no âmbito da animação comunitária e desenvolvimento local, negociando-se com esse órgão o estabelecimento de regras claras e justas para os critérios de financiamento?

3) Como poderá o Congresso contribuir para promover e enquadrar o envolvimento das associações no sentido de estas se auto-organizarem com vista à comunicação com os órgãos do poder, desde o nível autárquico ao nível central? (é de valorizar, como referência, o percurso já longo da Confederação das Colectividades de Cultura, Desporto e Recreio).

4) Tendo em conta as diferentes áreas de intervenção e o próprio tipo de funcionamento das associações (desde grupos informais sem qualquer subsídio, até estruturas já muito organizadas e com orçamentos anuais elevados), até que ponto as áreas temáticas já propostas para o Congresso são adequadas para a partilha entre associações com maiores afinidades entre si?

5) Face à crise de valores e de adesões em relação ao movimento associativo, que tem raízes comuns com a crise de valores essenciais aos processos de democracia participativa e cidadania, como poderá o Congresso contribuir para melhorar a qualidade da democracia participativa no interior das próprias associações e para capacitá-las no sentido do desenvolvimento da cidadania nas comunidades onde intervêm? (nomeadamente, como olhar hoje para o trabalho voluntário nas associações?)

6) Como poderão desenvolver-se formas de diálogo e reflexão conjunta, implicando diferentes intervenientes nos processos de democracia representativa e de democracia participativa, de modo a que se criem condições para uma progressiva tomada de consciência sobre a complementaridade e a necessária reciprocidade entre ambas?

No final da reunião, ficou marcado novo encontro para sábado, 11 de Setembro, às !5 horas, na sede do Grupo Desportivo da Mata, na Covilhã.

Nesta reunião pretende-se prosseguir com a reflexão iniciada, abrangendo um maior número de presenças e de associações, esperando-se que cada um dos intervenientes na reunião de Maio vá promovendo contactos e juntando ideias, tomando este relato como referência para novas ideias e sugestões.

Igualmente fica aberto o convite aos frequentadores do blog http://movimentodoassociativismo.blogspot.com para participarem nesta reunião.

Para quaisquer esclarecimentos, poderá contactar:

__ António e Maria José Ferreira Tel 963084999

E-mail: mjose7777@sapo.pt

-- José Manuel Duarte Tel 962645998

E-mail : jmfd@sapo.pt

segunda-feira, 31 de maio de 2010

ASSOCIATIVISMO E DEMOCRACIA PARTICIPATIVA


Teve lugar no dia 15 de Maio,
na Biblioteca Municipal da
Covilhã, uma reunião de dirigentes e animadores associativos
inserida num processo que tem em
vista a afirmação do movimento as
sociativo como escola de cidadania
e de democracia participativa.

Este processo foi iniciado a partir da
última MANIFESTA, realizada o ano
passado em Peniche, com reuniões
em diferentes pontos do país visando a preparação de um “Congresso
do Associativismo e da Democracia
Participativa” que terá em 13 e 14 de
Novembro próximo.


Partindo da constatação de que
“Embora a Constituição da República Portuguesa contemple a Democracia Representativa e a Democracia Participativa como estruturantes
do funcionamento da nossa sociedade, na prática, o tratamento que
é dado a cada uma destas formas

de democracia é bem distinto: à Democracia Representativa o Estado
concede todos os meios para o seu
funcionamento, enquanto à Demo-cracia Participativa não assegura as
condições indispensáveis à sua sustentabilidade”, o referido congresso
tem como principais objectivos:


- Promover o debate, a reflexão e a
clarificação do que preocupa as associações e outras formas organizadas de Democracia Participativa;


- Contribuir para a requalificação
das associações na perspectiva de
uma efectiva assunção do papel que
lhes cabe na promoção e produção
de cidadania;


- Elaborar um “Caderno Reivindicativo” que confronte o Estado com
a sua responsabilidade política de criar condições que garantam a
sustentabilidade material da Democracia Participativa.”


A reunião agora realizada na Covilhã, contou com a participação de
dezena e meia de dirigentes e animadores de associações de Gouveia, Guarda, Covilhã e Fundão e foi
dinamizada por membros da Base
- FUT e do GAF- Grupo Aprender em
Festa de Gouveia.


José Manuel Duarte